quarta-feira, 20 de julho de 2011

Unifesp Para o Estado, saquear a universidade pode. Protestar, não

O processo criminal contra os estudantes da Unifesp mostra a democracia de fachada existente no Brasil. São 48 estudantes acusados de “formação de quadrilha” e “depredação do patrimônio público” por terem realizado um ato político contra a corrupção do reitor na época. Enquanto isso, o ex-reitor, Ulysses Fagundes Neto, que renunciou para tentar acalmar a crise na instituição, ocupa atualmente cargo no Conselho Universitário.

O pró-reitor de graduação durante a gestão do Ulysses, Walter Albertoni, também foi investigado por estar envolvido no escândalo de corrupção e é o atual reitor da instituição.

São mais de dez mil estudantes que foram saqueados pelo reitor na época, que viajou até para a Disney com o dinheiro da universidade, mas para ele não há punição.

A acusação contra os estudantes que se levantaram contra o abuso do desvio de quase 200 milhões é tradicional nos movimentos sociais. A direita acusa os manifestantes de um crime comum para persegui-los politicamente. É evidente que o ato dos estudantes era político. Os estudantes entraram na reitoria para protestar contra o reitor e não para roubar o prédio.

Um ano antes, os estudantes da USP ocuparam por 51 dias a reitoria em protesto ao decreto do então governador José Serra do PSDB. Em 2008, os estudantes da Universidade de Brasília ocuparam a reitoria e derrubaram o reitor que também havia sido denunciado por corrupção.

Um caso semelhante é o dos controladores de vôo.

Os controladores de vôo que participaram de greve reivindicando melhores condições de trabalho foram condenados a prisão. Os militares que na mesma época foram responsáveis pela bárbara tortura, mutilação e assassinato com 46 tiros de três jovens, no Rio de Janeiro, nem o governo e muito menos o Exército quis condená-los.

José Rainha, líder dos sem-terra no pontal do Paranapanema, sofre diversos processos e foi preso sob a acusação de corrupção e não por liderar centenas de ocupações de terra na região.

As universidades brasileiras estão sob estado de sítio. A PM está na USP para vigiar e reprimir o movimento estudantil e servirá de porta de entrada nas demais universidades.

O processo criminal contra os estudantes da Unifesp tem como função amedrontar os estudantes combativos. Ao mesmo tempo, serve para o governo aprofundar a destruição da universidade pública.

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