segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Veja mitos e verdades sobre BC independente e ‘bolsa-banqueiro’.
As presidenciáveis Marina Silva (PSB) e Dilma Rousseff (PT) travam um debate repleto de mistificações acerca dos poderes do setor financeiro e dos feitos e propostas de uma e outra a esse respeito.
A presidente acusa a adversária de querer entregar a política econômica aos bancos privados, com a proposta de um Banco Central independente; em resposta, seu governo é acusado de ter criado a “bolsa-banqueiro”, presumivelmente uma referência aos gastos públicos com juros da dívida.
Veja mitos e verdades sobre os temas:
. A independência do BC significa entregar a política econômica aos banqueiros
Mito - Independência ou autonomia do BC significa, em geral, dar mandatos fixos aos dirigentes da instituição, com regras para demissão em caso de desempenho inadequado ou insatisfatório. É uma forma de evitar a ingerência do poder político sobre a fixação dos juros.
Mas a indicação do presidente e dos diretores do BC continua sendo feita pelo Palácio do Planalto, com necessidade de aprovação do Senado Federal.
. O setor financeiro é influente na condução da política econômica
Verdade - Governos que gastam bem acima de sua receita, como o brasileiro, precisam regularmente de dinheiro emprestado e, portanto, da boa vontade dos bancos e dos poupadores.
Qualquer credor exige que o devedor demonstre capacidade de pagamento -que é avaliada a partir do ponto de vista e dos interesses do credor.
. A independência do BC subtrai poderes do governo eleito de intervenção na economia
Verdade - Órgão mais poderoso do Executivo, o BC fixa a taxa de juros e dispõe de reservas em moeda estrangeira para influenciar a cotação do dólar. As políticas monetária e cambial tem impacto decisivo no crescimento da economia e na inflação.
Ao governo restariam, para influenciar na atividade econômica, os gastos públicos e o crédito dos bancos oficiais.
. A independência do BC significaria mais desemprego
Depende - Um BC independente que desejasse reduzir mais rapidamente a inflação teria de elevar as taxas de juros até uma piora do mercado de trabalho suficiente para estancar o consumo e os preços.
Mas o BC também poderia tolerar a inflação mais alta, a exemplo do que acontece hoje. É a meta de inflação, portanto, que faz a diferença.
. O governo petista criou a “bolsa-banqueiro”
Mito - Os juros e, consequentemente, os gastos com a dívida pública caíram, embora não de forma contínua, de 2003 para cá, como proporção da renda nacional
União, Estados e municípios gastavam algo como 7,5% do Produto Interno Bruto em juros da dívida em 2002. Essa despesa hoje está na casa dos 5% do PIB
. Os gastos do governo brasileiro com juros estão entre os mais altos do mundo
Verdade - São raríssimos os países que gastam um percentual tão elevado do PIB com juros da dívida pública. Levantamento com dados de 2011 mostrou que só Grécia e Líbano superavam o Brasil.
As taxas brasileiras estão entre as mais altas do mundo desde os anos 90, mas o motivo dessa anomalia ainda é objeto de debate entre os especialistas.
. Os bancos não gostam de Dilma porque ela reduziu os juros
Em termos - A presidente de fato derrubou as taxas na primeira metade de seu mandato, mas hoje os juros e os gastos com a dívida estão praticamente nos mesmos patamares herdados de Lula.
Na visão dos economistas mais ortodoxos, influente no sistema financeiro, a tentativa de baixar juros sem redução dos gastos públicos e da inflação foi uma estratégia equivocada da petista.
http://dinheiropublico.blogfolha.uol.com.br/2014/09/10/veja-mitos-e-verdades-sobre-bc-independente-e-bolsa-banqueiro/
MARINA..UMA CANDIDATA VAI-VEM
Marina ainda não tem plano coerente para BC autônomo e meta de inflação .
Declarações da equipe de Marina Silva (PSB) mostram contradições em torno de dois dos principais compromissos da presidenciável -o Banco Central independente e o restabelecimento das metas de inflação.
Conforme a Folha noticiou, auxiliares encarregados do programa de governo de Marina defendem, com maior ou menor ênfase, que entre os objetivos de um BC autônomo esteja a geração de empregos.
A proposta ainda não está definida, o que é normal a esta altura da campanha. Mas a possibilidade cogitada é incompatível, por princípio, com o regime de metas de inflação cuja credibilidade a candidata promete recuperar.
O pressuposto básico do regime, adotado pelo Brasil em 1999, é que o BC tenha uma única missão: levar a inflação ao patamar prometido, mesmo que para isso seja necessário subir os juros, prejudicar o crescimento da economia e elevar temporariamente o desemprego.
Por esse raciocínio, se empresários, investidores e consumidores acreditarem no compromisso oficial com a meta, vão ajustar naturalmente seus preços e demandas salariais a ela, facilitando seu cumprimento.
Essa receita desandou nos últimos anos justamente porque o governo Dilma Rousseff impôs outros objetivos ao BC, como evitar uma piora do consumo (e do emprego) e buscar uma taxa de câmbio mais favorável às exportações.
Em consequência, a inflação está desde 2010 acima dos 4,5% prometidos, e a meta caiu em descrédito -sintomaticamente, nem a alta dos juros de 7,25% para os atuais 11% foi capaz de conter a alta dos preços.
O exemplo clássico de um banco central que também busca a preservação do emprego é o Federal Reserve, dos Estados Unidos. Mas o Fed, como é conhecido, não segue o regime de metas de inflação.
http://dinheiropublico.blogfolha.uol.com.br/2014/09/16/marina-ainda-nao-tem-plano-coerente-para-bc-autonomo-e-meta-de-inflacao/
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